Restaurante no Flamengo volta a receber clientes com cozinha renovada, melhorias na estrutura e os pratos clássicos que marcaram gerações
O Café Lamas voltou a abrir as portas no Flamengo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, após quatro meses fechado em consequência de um incêndio. Fundado em 1874 e reconhecido como Patrimônio Cultural Carioca, o restaurante retoma suas atividades com a cozinha reconstruída e uma escolha que deve agradar aos frequentadores: preservar o cardápio e a identidade da casa.
A reabertura encerra um período de dificuldades para sócios, funcionários e clientes. O incêndio começou em uma fritadeira e destruiu praticamente toda a cozinha. Três extintores foram utilizados na tentativa de controlar as chamas, mas foi necessário acionar os bombeiros. Ninguém ficou ferido.
Para Milton Brito, um dos sócios, o retorno representa a oportunidade de superar os impactos do episódio e recuperar a rotina de um estabelecimento cuja trajetória se confunde com a história da cidade.
Reforma preserva características do restaurante
Os trabalhos de recuperação envolveram a renovação das instalações elétricas, a reconstrução da cozinha e a pintura dos ambientes. O espaço também ganhou um banheiro acessível.
Segundo a sócia Claudia Rocha, aproximadamente metade do período de fechamento foi consumida pelos procedimentos burocráticos relacionados ao seguro. Enquanto a liberação dos recursos era aguardada, uma campanha de apoio promovida por bares e restaurantes contribuiu para a recuperação do estabelecimento.
Apesar das intervenções, a orientação dos responsáveis foi manter as características conhecidas pelo público. As cores e o ambiente foram preservados, assim como as receitas tradicionais. A intenção é permitir que os antigos clientes reconheçam a casa ao retornar e que novos frequentadores encontrem os elementos que construíram sua reputação.
Clássicos permanecem no cardápio
Os filés continuam entre os principais atrativos do Lamas. O filé à Oswaldo Aranha, coberto com alho frito, divide as preferências com o filé à francesa, acompanhado de cebola, presunto, ervilha e batata-palha, e o filé à parmegiana.
Na reabertura, cada um desses pratos custa R$ 180, em porções indicadas para duas pessoas. As opções individuais dos pratos do dia variam de R$ 42 a R$ 170.
A permanência do cardápio reforça a ligação do restaurante com clientes que atravessam gerações. Para muitos, voltar ao Lamas significa reencontrar sabores associados a almoços em família, reuniões entre amigos e encontros que se prolongam pelas mesas.
Um endereço ligado à memória carioca
O Lamas nasceu no Largo do Machado e se transferiu para a Rua Marquês de Abrantes depois que o imóvel original foi desapropriado para as obras do metrô.
Ao longo de sua trajetória, recebeu personalidades como Machado de Assis, Rui Barbosa, Portinari e Carmen Miranda. Getúlio Vargas também frequentava o estabelecimento, onde costumava tomar chá com torradas.
Outra passagem preservada na memória da casa envolve a origem do Flamengo. Segundo Milton Brito, um grupo de remadores discutiu no antigo Lamas os primeiros passos para a fundação do clube, em 1895.
A expectativa pela retomada também mobilizou a equipe. Aos 77 anos, Luiz Carlos Pinto, o funcionário mais antigo do restaurante, acompanhou as obras com ansiedade e chegou a reclamar da demora ao sócio.
Com o atendimento restabelecido, o Lamas recupera seu lugar na rotina do bairro e retoma uma história construída entre pratos tradicionais, conversas e encontros que ajudam a contar o próprio Rio de Janeiro.