Após mais de duas décadas de negociações marcadas por avanços, impasses e revisões, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi finalmente formalizado, consolidando um dos tratados mais ambiciosos já firmados entre dois grandes blocos econômicos. A assinatura ocorreu em Assunção, no Paraguai, país que exerce a presidência rotativa do Mercosul e sediou a cerimônia oficial.
O tratado foi assinado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, após o aval dos 27 países que compõem a União Europeia. O acordo estabelece um amplo marco regulatório para o comércio, investimentos e cooperação entre as regiões, com impacto direto sobre cadeias produtivas estratégicas, exportações agrícolas, produtos industriais e serviços.
Embora seja um dos principais defensores históricos da aproximação entre os dois blocos, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva não esteve presente na cerimônia. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que acompanhou os atos oficiais e as declarações conjuntas. Durante o evento, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, destacou publicamente o papel de Lula nas negociações, afirmando que a conclusão do acordo só foi possível graças à persistência do líder brasileiro ao longo dos anos.
Do ponto de vista econômico, o tratado é visto como um divisor de águas para os países do Mercosul. Em nota oficial, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços destacou que o acordo garante acesso preferencial ao mercado europeu, considerado a terceira maior economia do planeta. O bloco europeu reúne cerca de 450 milhões de consumidores e responde por aproximadamente 15% do Produto Interno Bruto global, o que amplia significativamente o potencial de exportações sul-americanas.
Além da redução de tarifas e da ampliação do comércio, o acordo prevê compromissos em áreas sensíveis, como sustentabilidade ambiental, normas trabalhistas, propriedade intelectual e padrões sanitários. Esses pontos foram, durante anos, os principais entraves das negociações, especialmente diante das exigências europeias relacionadas à proteção ambiental e ao combate ao desmatamento.
Para o Mercosul, o tratado representa uma oportunidade de diversificação de mercados, aumento da competitividade e atração de investimentos estrangeiros. Para a União Europeia, o acordo fortalece laços estratégicos com a América do Sul em um cenário global marcado por disputas comerciais e rearranjos geopolíticos.
Apesar do caráter histórico, a implementação do acordo ainda exigirá ajustes internos e debates nos parlamentos nacionais, além da adaptação de setores econômicos que enfrentarão maior concorrência. Ainda assim, a assinatura simboliza o encerramento de um longo ciclo de negociações e o início de uma nova etapa nas relações entre Europa e América do Sul, com potencial de redesenhar o comércio entre os dois continentes nas próximas décadas.









