A Unidos de Vila Isabel anunciou a saída de Rayane Figliuzzi do quadro de musas da escola, decisão que movimentou o cenário do carnaval carioca e trouxe à tona debates sobre responsabilidade, compromisso e coerência institucional dentro das agremiações. A comunicação oficial partiu da própria escola, que destacou a impossibilidade de conciliar agendas e cumprir integralmente as exigências do posto como motivo para o desligamento.
O cargo de musa, embora cercado de glamour, exige dedicação intensa e presença constante. Ensaio após ensaio, participação em eventos comunitários, compromissos institucionais e envolvimento direto com o dia a dia da escola fazem parte das responsabilidades associadas à função. Segundo a direção da Vila Isabel, a indisponibilidade para atender a essas demandas inviabilizou a permanência de Rayane no posto, levando a uma decisão considerada necessária para preservar a organização interna da agremiação.
A saída ocorre em um contexto de grande visibilidade pública. Recentemente, o nome de Rayane esteve envolvido em uma polêmica após um episódio atribuído a uma pessoa de seu convívio profissional, que gerou forte repercussão negativa. Embora a escola não tenha se aprofundado em detalhes sobre o caso, o ambiente de pressão e questionamentos se intensificou, ampliando o desgaste em torno de sua permanência como musa.
Para a Vila Isabel, a decisão vai além de uma simples alteração no elenco carnavalesco. A escola se prepara para um desfile que valoriza a ancestralidade, a herança africana e a contribuição da cultura negra para a formação do samba e da identidade brasileira. Dentro desse contexto, a agremiação reforça que seus representantes precisam estar alinhados não apenas artisticamente, mas também ética e simbolicamente com os valores que sustentam o enredo e a história da escola.
O episódio reacende uma discussão recorrente no carnaval contemporâneo: o equilíbrio entre visibilidade midiática e compromisso com a comunidade. Nos últimos anos, escolas de samba passaram a atrair figuras conhecidas das redes sociais, da televisão e do entretenimento para cargos de destaque. Ao mesmo tempo, cresce a cobrança para que esses nomes compreendam a dimensão cultural e social do carnaval, que vai muito além da exposição pública.
A Vila Isabel, ao comunicar a saída de Rayane, procurou enfatizar princípios como respeito, inclusão e responsabilidade. A mensagem transmitida é clara: o carnaval é uma manifestação cultural coletiva, construída por centenas de pessoas, e cada integrante precisa contribuir de forma ativa e coerente com esse processo.
Até o momento, a escola não anunciou quem ocupará a vaga deixada no quadro de musas. A direção informou apenas que o planejamento para o desfile segue inalterado e que o foco permanece na preparação artística e no fortalecimento do enredo. Internamente, a expectativa é de que a substituição seja feita de maneira criteriosa, respeitando o perfil desejado e o espírito da escola.
A saída de Rayane Figliuzzi marca, assim, um movimento de reafirmação institucional da Unidos de Vila Isabel. Ao priorizar compromisso e alinhamento de valores, a agremiação sinaliza que, no desfile, mais importante do que nomes de repercussão é a coerência entre discurso, prática e respeito às raízes do samb










