Especialista aponta aumento da procura por sistemas fotovoltaicos entre pequenos comerciantes
A alta dos custos com energia elétrica tem levado cada vez mais pequenos empreendedores a investir em geração de energia solar como estratégia para reduzir despesas e aumentar a competitividade. Em negócios como cafeterias, padarias e restaurantes, onde equipamentos permanecem ligados durante boa parte do dia, a conta de luz representa um dos principais custos operacionais.
Foi essa realidade que motivou a Cafeterisa, cafeteria localizada no bairro de Ramos, na zona norte do Rio de Janeiro, a instalar um sistema de energia solar. Cerca de 14 meses após a inauguração da loja, a empresa investiu aproximadamente R$ 25 mil, com recursos próprios, em placas fotovoltaicas. O sistema entrou em operação cerca de dois meses após a decisão pelo investimento.
Segundo a administradora e proprietária da Cafeterisa, Tatiana Paes Barreto, a principal motivação foi reduzir um custo fixo que crescia à medida que o negócio se consolidava.
“A principal motivação foi tornar a empresa mais eficiente financeiramente. A energia elétrica representa um dos custos mais importantes para uma cafeteria, que depende de equipamentos funcionando diariamente. Ao mesmo tempo, vimos a oportunidade de adotar uma solução mais sustentável e alinhada aos valores da Cafeterisa”, afirma.
Antes da instalação, a cafeteria gastava cerca de R$ 2 mil por mês com energia elétrica. Hoje, a conta varia entre R$ 700 e R$ 1 mil, dependendo do consumo, uma redução que pode chegar a 65%.
A economia permitiu que a empresa passasse a investir em melhorias no próprio negócio. “A redução dos custos proporciona mais segurança para investir continuamente no crescimento da empresa, seja no desenvolvimento de novos produtos, melhorias na estrutura, aquisição de equipamentos e aperfeiçoamento da experiência oferecida aos clientes”, destaca Tatiana Barreto.
A expectativa é recuperar o investimento em aproximadamente 24 meses. Para outros empreendedores, ela recomenda avaliar o projeto como um investimento de longo prazo.
“Vale a pena estudar o projeto com calma e fazer as contas. A energia solar reduz despesas, aumenta a previsibilidade financeira e fortalece o negócio. Hoje existem soluções para empresas de diferentes portes, tornando esse investimento cada vez mais acessível”, indica a proprietária da Cafeterisa.
Cresce a procura entre pequenos negócios
De acordo com Leonardo Ribeiro, diretor técnico da Ventura Solar, o interesse dos pequenos comerciantes por sistemas fotovoltaicos aumentou nos últimos anos, impulsionado pelos reajustes das tarifas de energia e pela busca por maior previsibilidade financeira.
“Os pequenos negócios buscam o setor fotovoltaico para garantir previsibilidade de custos e aumentar a margem de lucro”, aponta.
O especialista explica que o investimento médio para um pequeno comércio varia entre R$ 35 mil e R$ 45 mil, dependendo do consumo de energia, da potência necessária, das características do telhado e da infraestrutura elétrica do imóvel. Em média, o retorno financeiro ocorre entre dois anos e meio e três anos e meio, enquanto os equipamentos têm vida útil superior a 25 anos.
Além da redução expressiva na conta de energia, Leonardo Ribeiro destaca que o sistema proporciona proteção contra reajustes tarifários e melhora o fluxo de caixa da empresa.
“A energia solar deixou de ser apenas uma forma de economizar. Ela transforma um gasto permanente em um investimento estratégico, permitindo que o empresário direcione recursos para expansão, inovação e melhoria do atendimento”, esclarece.
Para quem não dispõe de recursos próprios, ele lembra que existem linhas de financiamento específicas para projetos fotovoltaicos e modalidades como a geração compartilhada, que permitem obter descontos na conta de energia sem a necessidade de instalar painéis no imóvel.
Antes de contratar um sistema, o profissional recomenda que o empreendedor avalie as condições estruturais do telhado, escolha empresas qualificadas e exija equipamentos certificados e garantias contratuais.
“Com planejamento e orientação técnica, a energia solar deixou de ser uma solução restrita às grandes empresas e passou a ser uma alternativa viável para pequenos negócios que desejam reduzir custos e ganhar competitividade”, conclui Leonardo Ribeiro.