O problema dos voos baixos e do excesso de ruído na Zona Oeste do Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo após a divulgação de um levantamento técnico inédito realizado pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). O estudo revelou que 34% das aeronaves monitoradas no Aeroporto de Jacarepaguá descumprem as regras de altitude mínima estabelecidas para a região, sobrevoando áreas residenciais em níveis considerados inadequados e próximos de prédios e condomínios.
Os dados foram apresentados durante uma reunião entre autoridades, representantes comunitários e parlamentares na Barra da Tijuca. A divulgação do relatório confirmou oficialmente uma reclamação antiga de moradores de bairros como Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá, que há anos denunciam o impacto causado pelo intenso tráfego aéreo na região.
Segundo o Decea, o monitoramento foi realizado por meio de equipamentos de alta tecnologia instalados no aeroporto há cerca de um ano. O sistema é capaz de registrar em tempo real as rotas percorridas pelas aeronaves, além das altitudes utilizadas durante pousos e decolagens. A análise detalhada permitiu identificar uma quantidade significativa de operações realizadas fora dos padrões determinados para segurança e controle do espaço aéreo.
De acordo com moradores, os voos irregulares provocam forte poluição sonora, principalmente em horários de maior movimentação aérea. Além do desconforto causado pelo barulho constante, há também preocupação com a segurança das aeronaves voando em baixa altitude sobre áreas densamente povoadas.
Condomínios residenciais da Barra da Tijuca e do Recreio relatam que o ruído frequente interfere diretamente na rotina da população, afetando descanso, trabalho remoto, estudos e até atividades comerciais. Em alguns pontos da região, moradores afirmam que helicópteros e aeronaves passam tão próximos dos prédios que é possível perceber vibrações nas estruturas e interrupções constantes durante reuniões e chamadas online.
Um dos pontos que mais gerou indignação durante o encontro foi a informação de que, apesar do sistema registrar irregularidades há aproximadamente 12 meses, nenhuma multa foi aplicada até o momento. A ausência de punições provocou críticas de lideranças comunitárias e representantes políticos, que classificaram a situação como um caso de falha grave na fiscalização aérea.
Representantes da Câmara Comunitária da Barra e deputados estaduais defenderam medidas mais rígidas contra empresas e pilotos que desrespeitam as normas operacionais. O Decea informou que iniciará um processo de notificação formal dos infratores e que poderá aplicar multas em casos de reincidência.
Além das sanções, moradores apresentaram uma série de propostas para tentar reduzir os impactos causados pelo aumento do tráfego aéreo na região. Entre as reivindicações estão a obrigatoriedade do uso de redutores de ruído em helicópteros, a limitação do número diário de pousos e decolagens e o congelamento de qualquer expansão da pista do Aeroporto de Jacarepaguá que permita operações de aeronaves maiores.
Parlamentares que participaram da reunião classificaram o índice de 34% de descumprimento das regras como “extremamente grave” e defenderam maior transparência no monitoramento do espaço aéreo da capital fluminense. Alguns deputados afirmaram que pretendem acionar órgãos de controle e fiscalização para garantir punições efetivas e acompanhamento contínuo das operações aéreas na Zona Oeste.
O caso reacende o debate sobre os impactos da expansão da aviação executiva e do aumento do fluxo de helicópteros no Rio de Janeiro, especialmente em áreas urbanas densamente habitadas. Enquanto moradores pressionam por medidas imediatas, cresce a expectativa sobre quais providências serão adotadas para equilibrar mobilidade aérea, segurança operacional e qualidade de vida da população carioca.











